Um dia de sol

Ao todo, vinte e seis navios tinham sido afundados, incluindo dois navios-hospitais, e mais de duas mil pessoas perdido a vida. Praticamente todos os refugiados e soldados gregos feridos a bordo do ferry Hellas morreram queimados. Para os que largavam as bombas, o horror, em baixo, permanecia distante, se não abstracto. ‘Um dia de sol’, recordava o piloto de um Junkers 88, a 25 de Abril, ‘tinham-nos enviado para procurar navios que embarcassem tropas britânicas nas áreas de Atenas, Corinto e Nauplia’. Tentou identificar Micenas. ‘Disse à minha tripulação que sobrevoavamos um território que tinha visto pelo menos três mil anos de história grega... As aldeias e as cidadezinhas pareciam um pátio de recreio com pontos brancos’. Sobre o porto de Nauplia, ‘tudo parecia intocado e em paz. Mas havia ali qualquer coisa que fez o meu coração bater mais depressa’. Um paquete ancorado – uma ‘visão fascinante’ – oferecia ‘um alvo único’. O apontador preparou-se quando o avião se inclinou e depois mergulhou. O piloto levantou o nariz do aparelho no momento crucial e carregou no botão vermelho. O operador e o artilheiro esticaram os pescoços e avistaram as explosões. ‘Acertámos-lhe! Duas em cheio e duas bombas falharam por pouco. Cascatas de água e chamas altas. O que é que senti? Alívio, depois de máxima tensão, orgulho de que uma tripulação jovem tivesse tido sucesso. Pena, por um belo navio ter desaparecido. Satisfação, por ele nunca mais transportar forças britânicas, e isso foi tudo o que contou neste dia.’
ANTONY BEEVOR, Crete: The Battle and the Resistance, London, John Murray, 2005, pp. 51-52.

1 Comments:
No meio de tantas vindas aqui ao blog para tirar textos para as aulas, só agora é que tive a oportunidade de o ver com mais atenção...
Mais um blog para adicionar aos favoritos... ;)
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